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UFU tem mais de mil vagas ociosas
Custo para o governo federal é de R$ 15,8 milhões; universidade adota algumas medidas para que as vagas sejam ocupadas
Frederico Silva | Repórter
Atualizada: 04/02/2011 - 10h04min

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As 1.072 vagas ociosas existentes para os cursos de graduação da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) custam R$ 15,8 milhões aos cofres públicos. A estimativa foi feita levando em conta o custo médio de cada aluno do ensino superior de R$ 14.763, de acordo com o Ministério da Educação (MEC). Considerando os cerca de 18 mil alunos matriculados nos 59 cursos em Uberlândia e 16 cursos em Ituiutaba, a universidade apresenta um índice de 5,5% de vagas que são custeadas pelo MEC, com estrutura, professores, entre outros gastos, e que não estão preenchidas por estudantes em formação.

De acordo com o pró-reitor de graduação da universidade Waldenor de Barros, as vagas ociosas correspondem aos óbitos, abandonos, mudanças de curso, enfim, estudantes que evadiram do curso no decorrer dos períodos. Segundo ele, a UFU enfrenta problemas com a identificação das desistências, já que a maioria dos alunos não oficializa. “É complicado saber as reais razões que geraram a saída do aluno, mas por amostragem identificamos que a maioria tem histórico de reprovações nas matérias dos cursos”, disse.

Os reflexos do problema podem atingir a própria universidade que pode deixar de receber recursos complementares pelas vagas ociosas. Segundo o pró-reitor de planejamento Valder Steffen, a previsão orçamentária da UFU para 2011 é de R$ 533 milhões para graduação e pós-graduação. As vagas ociosas podem gerar perdas no orçamento de outros custeios e capital. “Quando apresentamos ao MEC a matriz de orçamento e o número de matriculados é menor, ou seja, tem mais vagas ociosas, corremos o risco de receber menos recursos nos próximos anos”, afirmou.

Matemática tem 126 vagas não ocupadas

Muriel Gomes 8/5/2008

Arquimedes Ciloni diz que baixa procura pelos cursos de licenciatura se deve à desvalorização dos docentes

A maioria das vagas ociosas da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) está ligada aos cursos de licenciatura, que formam professores para o ensino fundamental e médio. O de Matemática é o que mais se destaca, com 126 vagas ociosas, um índice de 15,7%.

Para o ex-reitor da UFU e ex-presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) Arquimedes Diógenes Ciloni, a baixa procura pelos cursos de licenciatura é explicada pela falta de valorização dos professores da educação básica. “Ao longo dos anos, a educação foi sendo deteriorada e por isso é preciso recuperar a dignidade de ser professor. Nas condições que trabalham hoje nenhum estudante vê nesta profissão uma boa opção”, afirmou.

De acordo com o pró-reitor de graduação da UFU, Waldenor de Barros, mesmo com a baixa demanda, não existem condições de diminuir a oferta de vagas para estes cursos. “A intenção é estimular a formação de professores principalmente para as áreas que têm poucos”, disse.

Processos seletivos são estratégia

Para reduzir o número vagas ociosas, a Universidade Federal de Uberlândia (UFU) sistematizou, a partir de 2008, os processos seletivos para o preenchimento destas vagas. Entre eles estão: Reingresso, Transferência e Portadores de Diploma. Mas, mesmo com estes processos, ainda existem dificuldades, já que para alguns cursos a procura é pouca, para outros, o nível exigido pela universidade não é atingido pelos candidatos.

O curso de Matemática também serve como exemplo. Das 126 vagas ociosas, nenhuma foi preenchida no Reingresso. Na Transferência apenas dois inscritos, mas que não conseguiram atingir os 50% de acertos na prova e foram reprovados.

A exigência de 50% de acertos afetou todas as áreas. Para concorrer as 1.186 vagas para a prova de transferência, 1.173 candidatos, mas do total somente 320 conseguiram classificação e 114 foram matriculados, restando 1.072 para portadores de diploma.

“O grau de exigência é grande para alunos que vem de instituições particulares cuja formação é fraca. A universidade precisa assumir o desafio de pegar alunos com um nível ruim e torná-lo bom dentro do curso”, afirmou o ex-reitor da UFU e ex-presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) Arquimedes Diógenes Ciloni.

Segundo o pró-reitor de graduação da UFU Waldenor de Barros, a decisão do nível da prova é do Conselho de Graduação. “Isso é sujeito a alteração, mas em experiências anteriores o resultado não foi positivo”, disse.

Estratégias

Como medida para tentar diminuir a evasão nos cursos, a UFU também oferece bolsas para os alunos de baixa renda. Ao todo, são oferecidas 136 bolsas de extensão (R4), 389 auxílios moradia(R0), 1648 bolsas alimentação(R0 e R0) e 941 bolsas transporte(R0).

“Em muitos casos os alunos saem por falta de condições de se manter estudando e vão em busca de emprego. Assim, podemos ajudá-lo e mantê-lo na universidade”, disse Waldenor de Barros, pró-reitor de graduação.

Portadores de diploma

Estão abertas vagas para portadores diplomas. Ao todo são 1072 vagas. As inscrições podem ser feitas de 9 a 15 de fevereiro. Podem concorrer portadores de diploma que estejam com o certificado registrado no Ministério da Educação (MEC).

NÚMEROS

Previsão Orçamento UFU 2011

R$ 533 milhões
R$ 361 milhões são gastos fixos para custeio de pessoal
R$ 102 milhões são para outros custeios e capital
R$ 69 milhões para investimentos em obras Licenciatura

Cursos com mais vagas ociosas para portadores de diploma

Matemática 126 vagas
Física 58 vagas
Ciências Econômicas 41 vagas
Engenharia Civil 27 vagas

Processo Seletivo para portadores de diploma
1.072 vagas
Inscrições de 9 a 15 de fevereiro
R$ 100
Informações no site da UFU

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