Foi-se o tempo em que apenas os meninos passavam horas na frente de uma televisão ou monitor para participar de partidas de jogos eletrônicos. As imagens dos mais variados videogames têm atraído o público feminino e, donos de lojas desse tipo de comércio, acreditam que esse é só o início da migração. Isso porque as meninas descobriram que o entretenimento pode ser divertido, principalmente quando se trata de aparelhos com sensor de movimentos de corpo, mão e de comandos de voz.
O vendedor de jogos de uma loja localizada no centro de Uberlândia, Rafael Silva de Paulo, afirma que a procura das mulheres pelo dispositivo aumentou. De cada 15 clientes que compram na loja a cada dia, cinco são mulheres. “Acredito que essa proporção pode se igualar em pouco tempo, já que o sensor ainda é uma novidade para muitas pessoas”.
Para invadir de vez o universo feminino as empresas investem em games exclusivos para elas. A dona de uma loja de jogos pela internet, Rosana Ferreira Barbosa, acredita que o investimento dos fabricantes vai aumentar. “Eles já estão pensando nesse público tanto que lançaram títulos exclusivos, embora as meninas também gostem de jogos que, a princípio, parecem ter sido feitos para os meninos”.
É uma questão de estilo, afirma a estudante Jéssica Rayse de Melo Miola, de 19 anos que se interessou pela magia dos games há dois anos, quando conheceu o marido. Ela gosta de jogos conduzidos por lutas, mas a preferência é outra. “Aqueles que aguçam a criatividade e permitem formar estratégias me atraem mais”. Disse Jéssica e afirma que mesmo não sendo veterana, em comparação ao marido, vence boa parte das disputas.
Diversão movimenta toda a família
| Paulo Augusto |
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Giulia Avelar Teixeira, de 12 anos, joga com a família |
Depois de ganhar um “Kinect” (sensor para Xbox) de Natal, os dias na casa de Giulia Avelar Teixeira, de 12 anos, ficaram bem mais divertidos. Ela reúne as amigas, os primos, os tios, os pais e os irmãos para campeonatos amadores. Giulia aprendeu a gostar da diversão por causa do irmão mais velho que fez questão de a ensinar e hoje domina a sala da casa dela. “Chego a ficar oito ou nove horas na frente da televisão”.
Ivana Avelar Teixeira, a mãe da garota afirma que o passa tempo é divertido. “Saímos daquele individualismo, daquela inércia causada pelos aparelhos convencionais. Deixamos de movimentar somente as mãos para mexer com o corpo todo e isso estimula a participação da família inteira”.
O funcionário de uma loja de games de Uberlândia, Artur Vinícius Ferreira, já existiu preconceito contra as mulheres admiradoras da prática, mas a realidade atual é respeitada pelo público masculino.