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Internet é território sem privacidade
Pessoas superexpostas nas redes de relacionamento podem ter problemas pessoais e/ou profissionais
Vanessa Pires - Repórter
Atualizada: 29/08/2010 - 15h52min

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A superexposição em páginas de relacionamento pode causar impactos relevantes na vida dos internautas. Segundo pesquisa realizada em 2009 pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope), pelo menos 59 milhões de pessoas utilizam redes e mídias sociais como Twitter, Facebook, Youtube ou Orkut onde expõem opiniões, informações particulares e profissionais.

O resultado pode ser negativo, como foi para o diretor de uma empresa de serviços de hospedagem da capital paulista. O executivo Alex Glikas postou no Twitter uma crítica sobre a torcida de um time de futebol que a empresa patrocinava. O resultado foi a sua demissão imediata do cargo de confiança que ocupava.

Fotos e vídeos publicados sem moderação também podem gerar conflitos futuros, principalmente na hora de buscar um emprego. Segundo pesquisa divulgada pela empresa de recrutamento Robert Half, 21% das empresas brasileiras usam as redes sociais para conhecer melhor os candidatos antes de entrevistá-los. As mais utilizadas são Twitter, Facebook e LinkedIn. O publicitário Alceu Pereira do Couto Neto afirmou que analisa o perfil da pessoa, o que ela publica na internet e em quais comunidades participa. “Procuro perceber a seriedade do candidato na utilização da ferramenta principalmente porque trabalhamos com internet e precisamos de profissionais antenados a esta tecnologia”, disse.

Foi por meio de uma página na internet que o analista de projetos Roberto da Costa Viana foi contratado em Belo Horizonte para ser gerente de uma empresa, em 2009. Ele afirma que soube da vaga pelo Twitter e se candidatou. “Foi muito rápido, eles me adicionaram nas páginas de relacionamento e, depois de contratado, me disseram que avaliaram meu histórico publicado na internet para saber se encaixava na vaga”, afirmou. Ele disse também que usa estas ferramentas sempre pensando nas possibilidades de geração de negócios. “Tenho limites naquilo que publico e penso sempre que alguém pode estar me avaliando. Tenho conteúdos pessoais, mas procuro ser mais reservado.”    

Apagar publicações pode ser difícil

“O que foi postado na internet não tem volta”, diz o especialista em mídias digitais Bruno Figueiredo Rodrigues. Segundo ele, a informação que o internauta torna pública na mídia digital é difícil de ser apagada ou removida das páginas na internet. “As pessoas ainda não se preocupam com o que estão inserindo nas mídias sociais, o que pode ter consequência no futuro.” Para ele, hoje não tem como separar o profissional do pessoal na hora de utilizar as páginas de relacionamento, já que estes sites estão se popularizando. Na agência onde trabalha, um manual com dicas de boas práticas será entregue para os funcionários para a utilização de mídias sociais.

O publicitário Alceu Pereira afirma que “as pessoas ainda não sabem o poder destas ferramentas e, como as pesquisas em sites de buscas estão mais profundas, é mais difícil apagar o que está na internet”. Por isso, é necessário que haja moderação. 

Ainda não há leis específicas sobre conflitos virtuais

Beto Oliveira

O advogado Felipe Machado alerta para a necessidade de as pessoas ponderarem bem antes de publicar na internet

Se um candidato à vaga de emprego não é selecionado devido a alguma publicação na internet, ela pode recorrer à legislação em busca de seus direitos. Se ele tem uma foto publicada e precisa que seja retirada, o advogado Felipe Machado Teixeira afirmou que o ideal é que entre em contato com o responsável pelo site e solicite a retirada do material. “Mas isso demanda tempo e a pessoa deve esperar os procedimentos e prazos para atualização do banco de dados. As pessoas devem analisar bem o que têm publicado na rede, pois ela está sujeita a ser avaliada”, disse.

O advogado afirmou que ainda não existem leis específicas para problemas relacionados ao mundo virtual e que, quando se trata de danos morais e civis, a legislação engloba esta natureza. “O prejudicado deve comprovar que teve um prejuízo moral por conta da publicação e que isto não interfere na postura profissional. Mas a empresa pode ter direitos, desde que prejudique sua imagem”, disse.

Investigações policiais também utilizam recursos

A pesquisa do “currículo digital” na internet auxilia no trabalho de investigação da Polícia Civil na apuração dos crimes. Segundo o delegado Eduardo Fernandes Péres Leal, do departamento de Inteligência da 16ª Delegacia Regional Polícia Civil (16ª DRPC), todas as páginas disponíveis na internet são utilizadas e, a partir delas, é possível encontrar fotos e informações que agregam as buscas ao criminoso. “Conseguimos descobrir nomes ou apelidos e até fotos daqueles que não temos registros, facilitando a identificação do suspeito”, afirmou.

DICAS

 Evite desabafos em sites de relacionamento. Pode repercutir negativamente.
 Evite falar do seu cotidiano. Pessoas podem usar para cometerem crimes.
 Não participe de comunidades que possam gerar valores negativos para você.
 Verifique as informações antes de repassá-las. Nem tudo que está na rede é confiável e seguro.
 Antes de publicar fotos, lembre que outras pessoas podem ver e não conhecer o contexto ou utilizar com más intenções.
 Evite postar declarações contra empresas, mesmo que seja no seu perfil pessoal.
 Cuidado com as opiniões fortes sobre assuntos polêmicos.
 Cuidado ao publicar fotos pessoais, que podem ser usadas por outras pessoas mal-intencionadas.
 Reflita se a informação que está publicando é relevante para outras pessoas.
 Lembre-se que suas páginas de relacionamento são seus cartões de visita.

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