Para um jornalista pode passar despercebida uma boa pauta, pela simples dificuldade de levantar os olhos para o céu. Um canário solitário em plena Praça da Liberdade, na capital mineira, virou uma reportagem de repercussão e dela o início da captura de imagens de outras espécies. Esse trabalho faz parte da exposição “Pássaros da Liberdade”, do jornalista Marcelo Prates, aberta hoje, às 21h, no Sesc/Uberlândia, dentro do Festival de Fotografia do Cerrado.
O conjunto de fotografias também está no livro homônimo da exposição, lançado ano passado. Além do casal de canários, alcovitados por Prates e pelo também jornalista Nilseu Martins, na mostra será possível ver espécies como jacu, pombinhas, socozinho, sanhaço, tendo de fundo o céu e a arquitetura de Belo Horizonte. O exemplar reúne 69 espécies, fotografadas ao longo de 12 anos e está à venda somente pela internet. O livro traz ainda textos poéticos dos jornalistas Nilseu Martins e Roberto Mendonça.
Uberlândia, segundo Prates, é a primeira cidade a receber esta exposição. Em setembro do ano passado, a capital mineira chegou a fazer o lançamento do livro, com fotos, versos, prosas e a soltura de passarinhos. “Estou honrado de participar do Festival de Fotografia do Cerrado. Quem dera se todos os Sescs fossem iguais ao daqui”, afirmou o jornalista que esteve na cidade há 3 anos, como selecionado da 1ª Bienal de Artes do Triângulo.
O canto do canário convidou fotógrafo ao trabalho
A história da exposição “Pássaros da Liberdade” iniciou em 1996, quando Nilseu Martins, jornalista, poeta, ambientalista e editor de primeira capa do "Estado de Minas", escutou na Praça da Liberdade o canto do canário-da-terra. “Ele estranhou o passarinho ali, porque não era o lugar dele e ficou 15 dias indo lá para observá-lo”, disse Prates.
Martins sugeriu então uma pauta ao jornal. Sabendo que ali havia mais do que uma simples notícia, convidou Marcelo Prates para fotografar um encontro. “Ele soltou uma canarinha. O canário ficou louco, mostrou onde ela conseguia semente, água e pegou um fiapo de Buriti para mostrar a ela onde seria o ninho. Ela botou 3 ovinhos e nasceu um filhote”, disse o fotógrafo.
A história de amor entre os pássaros virou matéria, repercutiu, dando a Prates e Martins o título de Comendadores do Meio Ambiente, dado pela Ordem dos Advogados do Brasil em Minas Gerais.
Artes visuais vêm desde a infância
Como os pássaros, Marcelo Prates também tem uma história de amor e voos alçados com a fotografia. Filho do diretor de programação dos Cinemas e Teatros Minas Gerais, rede de cinemas de Belo Horizonte, o fotógrafo fazia o design dos cartazes e programações.
Em um bazar beneficente, Prates comprou um ampliador de fotografias e montou seu primeiro laboratório. Pouco tempo depois entrou na faculdade de Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais, onde começou a se profissionalizar e conhecer jornais de renome.
Já como profissional, Marcelo Prates, entre vários momentos memoráveis, destaca a posse de Tancredo Neves no governo de Minas Gerais, em 1982, para a Folha de São Paulo. Foi quando viu suas fotografias estampadas em revistas e jornais nacionais e internacionais, como o Libération, da França, Corriere Della Sera, da Itália, dentre outros. Há 12 anos, ele é editor de fotografia do jornal Hoje m Dia, em Belo Horizonte.
Saiba mais
Exposição “Pássaros da Liberdade”, aberta hoje, às 21h, no Sesc/Uberlândia, com a presença do jornalista Marcelo Prates e em cartaz até 21 de maio. Rua Benjamim Constant, 844 - Bairro Aparecida. O livro com as fotografias pode ser adquirido em livrarias da capital e também pelo site do evento. Valor: R$ 80.