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Aumenta a população de ex-fumantes em todo o País
Pesquisa inédita aponta que 26 milhões de brasileiros pararam de fumar, a maioria há mais de dez anos
Agência Estado com Vanessa Pires
Atualizada: 28/11/2009 - 14h59min

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O número de ex-fumantes já é maior do que o de fumantes no país. Entre a população brasileira adulta, 17,2% fumam - o que equivale a 24,6 milhões de pessoas -, enquanto 26 milhões pararam de fumar, a maioria há mais de dez anos. É o que mostra a primeira Pesquisa Especial Sobre Tabagismo (Petab), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e que traça um perfil completo do consumo de tabaco no Brasil.

O número aparentemente favorável aos esforços antitabagistas vem acompanhado de outros que mostram a dificuldade de abandonar o vício. Mais da metade dos fumantes (52%) afirma que quer parar. No entanto, quando questionados quando abandonarão o cigarro, apenas 7% responderam que o fariam no próximo mês. Pouco mais de 81% dos entrevistados querem parar um dia ou não estão interessados em fazê-lo.

"Um dos desafios é ampliar a oferta de tratamento. Mais da metade deseja parar e não encontra aspecto terapêutico", disse o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, que participou da divulgação da pesquisa.

Levantamento

Trata-se do estudo mais completo já realizado sobre o número, perfil e hábitos dos fumantes no Brasil. O IBGE, em parceria com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), entrevistou 51 mil pessoas de 851 municípios durante a Pesquisa Nacional de Amostra Domiciliar (Pnad). Parte do levantamento foi financiada por organismos internacionais e está sendo aplicado em outros 13 países.

No Brasil, nove em cada dez fumantes (88%) fumam diariamente, enquanto cerca de 12% são usuários ocasionais. Seis em cada dez acendem o primeiro cigarro até meia hora depois de acordar, o que é sinal de alta dependência. Mais de um terço dos entrevistados consome de 15 a 24 cigarros por dia, o equivalente a uma carteira. Por outro lado, quase 65% da população nunca fumou.

Homens são maioria

Os fumantes são predominantemente homens (14,8 milhões contra 9,8 milhões de mulheres, o que equivale a 21% da população masculina e 13% da feminina). A maioria dos que fumam (78%) tem entre 25 e 64 anos e a maior parte deles (32% das pessoas entre 20 e 34 anos) começou a fumar entre os 17 e 19 anos.
Proporcionalmente, fuma-se mais na área rural (20,4%) do que na urbana (16,6%), embora em números absolutos mais de dois terços dos fumantes morem nas cidades (20,1 milhões).
A pesquisa também mostrou uma relação entre baixo rendimento e escolaridade com o hábito de fumar. Ou seja: quanto maior a escolaridade e a renda, menor a proporção de fumantes. O gasto médio mensal com cigarros é de R$ 78. "A despesa média com aquisição de frutas é menor do que com cigarros", disse o presidente do IBGE, Eduardo Pereira Nunes.

Uberlândia: 10% largaram vício após atendimento no Caps-AD

Em Uberlândia, não há o registro de quantas pessoas fumam ou pararam de fumar. A psicóloga e terapeuta Lúcia Mendonça acredita que o número de ex-fumantes vem crescendo devido às mudanças na lei que envolve os dependentes de nicotina. Ela orienta grupos de pessoas que buscam largar o vício por meio de um programa gratuito oferecido pelo Centro de Atenção Psicossocial – Álcool e Drogas (Caps-AD), em parceria com Instituto Nacional do Câncer (Inca).

Desde 2006, cerca de 560 pessoas fizeram o tratamento e apenas 10% conseguiram largar o cigarro. “É um vício muito difícil de abandonar, ainda mais por ser lícito. Outra questão é que não fazemos o acompanhamento pós-tratamento, e com isso não sabemos o número exato de pessoas que realmente desistiram do cigarro”, disse a psicóloga. O grupo hoje é composto de 18 fumantes e o tratamento dura 12 meses.

A dona de casa Siomara Alves de Moura Cabral, de 58 anos, fumou por 30 anos e há quatro abandonou o vício. Ela afirma que tomou a iniciativa após perceber a quantidade de problemas de saúde que o cigarro causa. “Antes que eu tivesse alguma doença, resolvi parar e até agora não tive problemas. Não sinto falta e o cheiro do cigarro me incomoda. Na minha família pelo menos dez são ex-fumantes”, disse.

Ela deixou o vício após um tratamento em uma clínica particular de Uberlândia, que utiliza laser e remédio natural para diminuir a ansiedade. A psicóloga Lúcia Mendonça afirma que o tratamento depende de cada caso e do grau de vício em nicotina. “Além do tratamento com remédios, que deve ser acompanhado por um médico especializado, usam-se adesivos, comprimidos para ansiedade e goma de mascar. A psicoterapia é essencial para que o paciente conheça a si mesmo e tenha consciência dos danos causados pelo cigarro”, afirmou.

Iniciativas coíbem aumento

Se o governo não tivesse adotado políticas antifumo o país teria hoje 40 milhões de fumantes, afirmou a coordenadora do Centro de Tratamento de Tabagismo do Inca, Cristina Cantarino. "Como o número de fumantes caiu pela metade, quem continua fumando é porque tem alto grau de dependência", disse.

A Pesquisa de Tabagismo do IBGE comprovou isso: a maioria dos fumantes consome, em média, um maço de cigarros diariamente, fuma até 30 minutos depois de acordar e, apesar de querer parar, não consegue abandonar o vício.
"Todo fumante é ambivalente", disse Cristina, explicando que o tabagismo é uma doença. "Ele pensa que deve parar, mas, por outro lado, adora fumar." O prazer do cigarro é provocado pela ação da nicotina, que libera dopamina no cérebro. "As campanhas deveriam focar mais os benefícios de parar de fumar", disse.

O vício é tão forte que mesmo quem conseguiu abandonar o vício deve ficar atento. "Muito ex-fumante acha que não tem problema dar uns tragos numa festa e acaba voltando a fumar diariamente", disse Cristina. Ela explica que os fumantes possuem receptores específicos para nicotina no cérebro e uma única tragada é capaz de estimulá-los a querer mais.

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