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Em homenagem a Cartola, hoje tem música e cinema
Cineclube exibe o documentário sobre a carreira do grande sambista carioca
Repórter
Atualizada: 17/09/2009 - 07h32min

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O Cineclube da Esquina homenageia hoje um dos maiores sambistas e compositores do Brasil com a exibição do filme-documentário “Cartola-música para os olhos”. A sessão de cinema acontece às 19h30, no estacionamento do Mercado Municipal. Antes do filme, para relembrar o artista, o sexteto Badauê apresentará algumas canções do compositor, em happy hour a partir das 18h.
Paulo Augusto

Sandra Carolino diz que o projeto reafirma a importância histórica do sambista


“Historiadores, amantes do samba e da boa música em geral não podem perder essa homenagem a Cartola, que relembra a importância histórica do sambista para a música popular brasileira”, disse Sandra Carolino de Paiva, diretora do espaço cultural do Mercado Municipal.

O filme tem 1h20 de duração e conta a história da vida do autor de importantes sambas a partir da década de 30 até o fim dos anos 70. Para Carolino, os diretores do filme, Lírio Ferreira e Hilton Lacerda, mostram um olhar que vai além da história de vida do personagem. “Eles constroem a imagem de Cartola de forma subjetiva, com imagens e depoimentos do sambista e depoimentos de amigos e familiares do músico. O resultado é um filme que, além de mostrar a vida de Cartola, retrata o contexto político e econômico da época em que viveu o compositor.”

Na opinião da diretora, Cartola é autor de verdadeiras obras-primas da música brasileira. “Suas composições falam de amor e fatos do cotidiano. Músicas como as “Rosas Não Falam” e o “O mundo é um moinho” são cantadas até hoje em rodas de amigos e por cantores renomados. “Cartola ainda vive na memória das pessoas”, disse.

O jornalista Vitor Hugo de Oliveira, que comanda um programa de samba em uma rádio de Uberlândia e é colunista do CORREIO, também destaca a contemporaneidade das músicas de Cartola. “A música dele tem uma áurea de atualidade. As canções do sambista, quando regravadas, ainda causam impacto e revelam a qualidade das composições”, disse.

Para Vitor Hugo, Cartola é a maior figura do samba que conseguiu dar ao ritmo uma dose certa de romantismo. “Ele conseguiu fazer isso como poucos, representou toda uma época da boemia carioca e ainda foi um dos representantes de uma das maiores agremiações do Brasil, a Estação Primeira de Mangueira”, afirmou.

Se Cartola estivesse vivo ia completar 101 anos. “Cartola-música para os olhos” ganhou o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro de Melhor Trilha Sonora em 2007 e foi um dos indicados na categoria de Melhor Documentário.

Sexteto Badauê prepara show curto, mas cheio de emoção

Divulgação

O sexteto Badauê já percorre o circuito cultural de Uberlândia há cerca de dois anos. O grupo, formado por Carlinhos (vocal), Wilton (violão), Kássio (cavaco), Aristides (pandeiro) e Gilson (percussão) toca o melhor dos grandes sambistas brasileiros como Pixinguinha e Noel Rosa. Porém, a apresentação de hoje, no Mercado Municipal, é um grande desafio para o sexteto. “Vamos tentar, em meia hora, mostrar o melhor de Cartola, o que é muito difícil devido ao grande número de pérolas da carreira do compositor”, disse o vocalista Carlinhos. Quando receberam o convite para a apresentação não pensaram duas vezes e Carlinhos está na expectativa de assistir ao documentário pela primeira vez. “Para quem conhece a trajetória do Cartola sabe que é uma homenagem merecida. Pena que ele não teve este reconhecimento em vida”, disse o músico que tem em “O mundo é um moinho”, do sambista carioca, uma de suas canções favoritas.

Um filho de Laranjeiras

Agenor de Oliveira, mais conhecido como Cartola, nasceu em 1908, no Rio de Janeiro. Passou a infância no bairro de Larajeiras, mas por conta de problemas financeiros se mudou com a família para o morro da Mangueira, onde em pouco tempo, fez amizade com vários sambistas.

Com seus amigos, Cartola fundou, em 1928, a Estação Primeira de Mangueira. Nos anos 30, as composições de Cartola se popularizam nas vozes de cantores famosos, como Mário Reis e Carmen Miranda.

Em 1964, o músico, juntamente com sua segunda esposa, d. Zica, inaugurava o Zicartola, uma casa de espetáculos que reunia pessoas de classe média alta e os sambistas do morro. Em 1978, Cartola foi morar em Jacarepaguá. Um ano depois descobriu que estava com câncer e, em 1980, faleceu por causa da doença.

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