
Neste tempo em que se cria uma Igreja em cada esquina, a Igreja Católica precisa continuar sendo modelo de justiça, de amor, de fé e precisa continuar nos mostrando o rosto de Cristo.
Neste tempo perigoso em que a Igreja Católica passa por escândalos de pedofilia, precisamos de homens sérios, de caráter, honra, respeito, integridade, brio, pessoas ilibadas, assim como o Frei Filomeno, cuja vida é um autêntico testemunho cristão.
Neste tempo em que é moda a busca desenfreada pelo ter, pelo superficial, pelo imediatismo, pelo supérfluo, pelo descartável, pelas aparências; precisamos de valores sólidos, de uma Igreja que seja modelo de justiça e verdade.
Neste momento em que o Frei Filomeno é tirado da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, precisamos entender estas razões, pois, somos seres pensantes, que aprendemos que a Igreja hoje, diferente daquela da Idade Média, valoriza os anseios, os projetos e o trabalho de uma comunidade unida.
Por que agora? Entendemos o saudável rodízio dos Padres nas Paróquias, mas no caso do Frei Filomeno, porque mudá-lo agora e não há dez anos? Agora que já fez todas as obras do templo, que a igreja está linda, uma obra de arte! Sem contar o crescimento desta comunidade no tocante à formação, espiritualidade e oração.
Por que mudá-lo agora, se não houve motivo algum que o desabonasse?
Então a Igreja prega uma coisa e faz outra? Não prega a Igreja que é preciso valorizar a riqueza e o trabalho de uma comunidade? Esta comunidade está sofrendo entristecida, inconformada. A Igreja que deveria, a exemplo de Cristo, levar alento ao povo sofrido, ela traz dor e tristezas? De fato, não faz sentido! Não entendemos este paradoxo! O Frei Filomeno é um sacerdote, mas é um cidadão e, de acordo com o Estatuto do Idoso ( Lei 8.842), é considerado idoso aquele com 60 anos ou mais. O Frei Filomeno completou 70 anos, isto mesmo, 70 anos. Tudo bem que ele tem uma mente brilhante! Mas, o Estatuto do Idoso ressalta a necessidade da manutenção do vínculo famíliar. Ele já deixou a sua família na Itália e cumpriu com fidedignidade a sua missão aqui, aliás, está cumprindo. Então a Igreja está nos punindo? Não vemos aí o rosto de Cristo. Tirá-lo desta Paróquia é, no mínimo, infração ao Estatuto do Idoso, ao Evangelho de Cristo... é desumano... cruel... injusto demais!
Sabemos que à frente da Igreja estão homens que têm a missão de nos conduzir a Deus, fazendo o que Cristo fez. A igreja precisa ser justa em seu testemunho, pois é isto o que nos ensina. Ela precisa nos mostrar amor e compaixão. Como nos disse a Madre Tereza de Calcutá: - "Não é o quanto fazemos, mas, quanto amor colocamos no que fazemos"! Quanto amor a Igreja colocou nesta decisão de tirar o Frei Filomeno da nossa Paróquia?
Por favor, tragam o Frei Filomeno de volta para a Paróquia Nossa Senhora de Fátima! Aqui é o seu lugar! A Igreja precisa repensar a sua decisão, pois, com esta decisão nos mostra ser uma Igreja diferente da que conhecemos, está se mostrando injusta, autoritária, desumana, obscurantista, anti-democrática, retrógrada...
A Ordem Franciscana, Província Salernitano Lucana, na Itália, precisa repensar esta decisão! Acreditamos que não tem conhecimento da dor que está nos causando. A Ordem Franciscana é formada por grandes homens e como disse August Graf Von: - "A virtude das grandes almas é a justiça".
Enfermeira Madalena G. Andrade Vieira
Uberlândia – MG - naleandrade@com4.com.br

O capitalismo de mercado, o capitalismo competitivo produtor de riqueza é incompatível com a igualdade social, fonte de bem-estar na sociedade. A pobreza relativa impede o bem-estar social. A sociedade mais igualitária tem bem-estar social, dependendo da percepção da maioria da população quanto à riqueza e pobreza dos seus concidadãos. Não é apenas o aumento de renda dos pobres que vai gerar bem-estar numa população.
Ricos e pobres serão mais felizes se a desigualdade entre eles diminuir, enquanto distribuição de renda. Reduzir a desigualdade causa bem-estar, não o crescimento econômico. Não haverá bem-estar na sociedade aumentando a renda dos pobres e os ricos ficando mais ricos. Pense se essa bela ideia pode ser verdadeira! Esta tese está em “The Spirit Level”, livro publicado em 2010, de Richard Wilkinson e Kate Pickett, resenhado de maneira brilhante pelo economista André Lara Resende, “Valor”, 28,29 e 30 de janeiro de 2011, páginas 04 a 09, Caderno EU & Fim de Semana.
Vamos expor e explorar as consequências dessa ideia. Bem-estar social define o bem-estar da sociedade como um todo. Não ocorre bem-estar se uma parte da sociedade melhora de vida e a parte mais rica fica tão bem quanto antes ou mais rica com o passar do tempo. Está errado associar crescimento econômico com aumento de renda, aumentando o bem-estar social. No plano individual está em aberto se riqueza aumenta a felicidade ou não.
Aumentar a renda da maioria, diminuindo a distância entre pobres e ricos, contribui para o crescimento do bem-estar. Só a redução da pobreza, mantendo uma grande distância entre os ricos e pobres, não aumenta o bem-estar social. A pesquisa social desses autores confirma/nega o senso comum: crescimento econômico aumenta a renda, aumentando o bem-estar social.
O crescimento econômico é o motor do progresso e da felicidade geral da nação. Não devemos ser contra o crescimento econômico, mas, ao mesmo tempo, não devemos pensar que o bem-estar tem origem aí. Diminuir a distância entre a maioria pobre da minoria rica é buscar o bem-estar social.
O determinante do bem-estar social é a redução das desigualdades de um país com distribuição de renda entre todos os cidadãos, não aumentando a distância entre ricos e pobres com o Bolsa Família. O Estado oferecer comida e moradia para o cidadão que não consegue sozinho é um dever. Mas não deve ser entendido como política suficiente para diminuir as desigualdades, criando bem-estar social no Brasil.
O aumento do poder aquisitivo dos pobres brasileiros não é fonte de bem-estar social. O mercado competitivo depende da má distribuição de renda, impedindo o bem-estar social. Uma sociedade mais igualitária possibilita bem-estar para a maioria da população do país.
Para se ter bem-estar social no Brasil, é preciso acabar com a pobreza relativa: maioria pobre, minoria rica: concentração da riqueza socialmente produzida. Existe correlação forte entre bem-estar social e igualdade. Isso tudo causa medo aos defensores do liberalismo clássico: igualitarismo depende da intervenção do governo para viabilizar esse bem-estar social, implicando a negação da liberdade individual.
Os Estados fortes no século 20, à esquerda e à direita, criaram o comunismo e o nazismo. A saída do liberalismo é aceitar uma única igualdade: a de oportunidades. Ainda existe outra saída para gerar bem-estar social pela intervenção governamental: o Estado de direito democrático.
João Batista Domingues Filho
Cientista Político e Professor da UFU

No ano passado, vários intelectuais desdenharam em público alguns assuntos. O mais criticado foi o aborto que, para eles, não faria diferença numa eleição presidencial. Este ponto de vista, acho, deve estar certo, dado o nível dos que o defenderam.
Os dados são incríveis: a cada dois dias, o aborto ilegal mata u’a mulher! Isso é barbárie! Algo deve ser feito. Como é que tantas assassinas dos próprios filhos ainda morrem assim? Temos de protegê-las. Para que dedicar atenção àqueles que, dizem, "estão por vir"?
Tenho de concordar que aborto não é assunto para uma eleição presidencial, afinal a vida não é lá muito importante, não é mesmo? Para que proteger seres inocentes (inocência que nem o pecado original lhes tira)? Só porque, sem a vida, de nada valem os demais direitos? Que tolice, não é mesmo? Já as mães, que podem usar uma infinidade de métodos anticoncepcionais (até o infalível método de não fazer sexo), merecem todos os cuidados, lógico!
Mas aí, dirão alguns: feto nem é gente! Certo! Olha só: um ser que não é gente, vive, mexe-se e alimenta-se da hospedeira... é verme! E o aborto é "questão de saúde pública", logo temos de livrar as pobres que se deixam engravidar de tão grande mal — com urgência! Não pensar assim é "barbaridade medieval"! (Puxa! O leitor sabia que já foi verme um dia?)
Na verdade, se for certo findar a vida dum filho por ele não ser desejado, por que não abrirmos esse direito aos pais de problemáticos? É só uma definição do que é ser humano; algo que se resolve com uma lei. Sabemos que todo cientista diz que, na hora da concepção, todas as características genéticas do novo ser já estão lá, logo, a hora na qual o “verme” se torna pessoa é arbitrária. Se consideram gente apenas quem tem sistema nervoso, eu sugiro que só se considere quem tiver a capacidade intelectual adquirível aos 21 anos! Razões para isso não faltam: o raciocínio é o que nos aparta do restante da criação, logo quem ainda não pensa de forma madura, não pode ser considerado membro da espécie. E olha que lindo: todo serzinho inconveniente que desobedecer a seus pais será rapidamente descartado! Nada desses que se drogam sei lá por que; nada de moços voltando de madrugada sem dizer onde foram; nada de quase-pessoas (mas não seres humanos) desobedecendo! Vai ser o paraíso! E quem defender o oposto será “retrógrado”, “religioso” (isso deve ser mal, pois usam tanto esta palavra para definir os antiaborticidas!) entre outras palavras igualmente ofensivas.
Outro ponto de grande indignação é o óbvio aspecto puramente religioso da proibição do aborto. Puxa, é vero! Direito à vida só interessa aos que têm religião! (Como não pensei nisso antes?) Sabemos que a tragédia dos abortos clandestinos é problema social e não de religiosos, afinal, estes não pertencem à sociedade, não é mesmo? Dar-lhes voz e voto é sem sentido. O que os religiosos pensam não pode ser levado em conta, mesmo se for o melhor para a população. Se religiosos falarem, seus argumentos serão sempre a imposição de suas respectivas fés, o que é intolerável. Assim se dá com o aborto, afinal, repito, respeitar o direito à vida é apenas devaneio religioso.
Sabe, após muito meditar, concluí que Adolfo Hitler, o alemão, tinha razão. Se ele disse (sem qualquer base científica) que alguns não eram pessoas e que podiam ser usados em pesquisas, por que não lhe seguir o exemplo? Antes eram os judeus entre outros... agora são os fetos. No fim, é tudo igual.
Deolindo Menck
Professor universitário
Uberlândia (MG)

O insuportável não é só a dor, mas a falta de sentido da dor, mais ainda, a dor da falta de sentido. (Oswaldo Giacoia Jr.)
Os escritos do filósofo alemão Nietzsche propõem-nos uma luta ferrenha contra tudo e contra todos os que insistem em rebaixar o homem, torná-lo escravo do mundo e dos poderes instituídos. O homem do nosso tempo precisa mergulhar fundo nos textos do referido filósofo, se quiser readquirir a liberdade perdida, o sentido superior da existência, se quiser quebrar os grilhões que o mantêm atado a uma vida de prazeres desordenados, entorpecentes e alienantes. A proposta do filósofo-poeta é que o homem aprenda a se confrontar, superando sua covardia, sua escravidão consentida, sua aptidão demasiado fácil para a submissão, a domesticação.
Nosso tempo exige homens e mulheres “apaixonados” pela vida, capazes de manter a cabeça erguida, apesar das dores do mundo, buscando iluminar (ou decifrar) os enigmas, as engrenagens, as armadilhas sutis da existência, sobrecarregada de vaidades, intrigas e preconceitos. Urge que nos coloquemos a inevitável questão: o que em nós se curva, tão facilmente, à vontade arbitrária de outrem?
Frente à liberdade ameaçada e aos sonhos frustrados, o instinto de sobrevivência nos impele a buscar alternativas. Para opor-se às tendências culturais dominantes, entre as quais se destaca o atual isolamento social humano, a arte em geral se coloca como uma poderosa força de resistência, um ponto de partida para o novo, para uma transformação radical das estruturas sociais opressivas, desumanas, cruéis. (Que o prezado leitor me perdoe por retomar o mesmo tema. A boca fala do que está cheio o coração). De fato, a arte pode colocar-nos na presença do indizível, preenchendo espaços vazios, dando alento e força para as necessárias transformações. Você, leitor amigo, que conhece a música de um Wagner, de um Mozart, a tragédia grega antiga, os grandes nomes da literatura universal, sabe bem de que falo.
A arte leva-nos a confrontar, com trágica sinceridade, nossos fracassos, nossa intolerância, nossas fraquezas, enfim, a matéria prima (o barro) de que somos feitos. A arte pode confrontar-nos, de forma funda e integral, com nossa ambiguidade, aparentemente sem saída, com nosso desinteresse pela leitura atenta dos caprichos a que a vida nos submete.
A arte nos propõe um desfiar cuidadoso da nossa intimidade e, ao mesmo tempo, um estilo clínico de observar e auscultar o mundo, sem tempo para futilidades, com a determinação e a persistência de condenados à morte (pois que o somos, de fato). Enfim, o convívio com a arte pode ser um modo melhor de lidar com os desacertos, com a crueldade, com a atmosfera envenenada do mundo.
Tropeçando nas palavras, nos acontecimentos, vamos abrindo brechas e clareiras, e com os fiapos da nossa vida banal, quem sabe, possamos reescrever uma narrativa nova, transformando nossa paisagem de desamparados, produzindo um milagre (profano), alimentado pelo desejo forte e profundo de também sermos abraçados pela tal felicidade. Pois, como já disse o cronista Luis Fernando Veríssimo, o ofício de viver requer prática, habilidade e um talento incomum. A vida, minha gente, não é pra qualquer um!
Shyrley Pimenta
Psicóloga clínica – Uberlândia
ivsant@terra.com.br

Reportando-me à carta do leitor Antônio das Graças Lopes, publicada na edição do dia 27 passado, sob o título “Dois viadutos e uma ponte”, permito-me fazer algumas considerações com o devido respeito.
Preliminarmente, discordo do leitor quando afirma que nestes seis últimos anos — refere-se, evidentemente, à administração do prefeito Odelmo Leão — o “concreto” foi priorizado, em desconsideração às pessoas desta cidade. Aliás, é estranha essa formulação, que procura contrapor as obras públicas materiais às sociais, ou o desenvolvimento econômico ao social, como se pudessem caminhar isoladamente ou não mantivessem direto e indissolúvel relacionamento.
Em nenhum momento o prefeito tem descurado da feição social de seu governo enquanto realiza obras de cunho desenvolvimentista. As próprias obras que o leitor menciona — de passagem, como ruas, avenidas, pontes, viadutos — não são construídas “em detrimento do social”, mas exatamente em função dele, porque, além de indispensáveis, geram empregos e oportunidades e se destinam a facilitar a locomoção, a melhorar o transporte público, a valorizar o aspecto urbanístico, a criar condições de prosperidade, tudo isso propiciando ganhos sociais.
Mas, sobre essas obras, entre as quais o professor Lopes se esqueceu de incluir inúmeras outras no campo do saneamento, do abastecimento de água, da energia elétrica — que também são obras “de concreto”, mas de cunho social (a “infraestrutura subterrânea” a que ele se refere) — o atual prefeito tem contabilizada uma série de ações na saúde, na educação, no meio ambiente e em toda a área social.
Sem entrar em detalhes, bastaria citar o Hospital Municipal, novas unidades de saúde, escolas, creches, assistência à criança, ao adolescente e ao idoso, cursos profissionalizantes, programas de combate às drogas, acessibilidade, melhoria e expansão do transporte público, construção de centenas de moradias populares, pavimentação, programas de inclusão cultural e esportiva, enfim, toda uma gama de empreendimentos com reflexos altamente positivos sobre a qualidade de vida da população.
O prefeito tem que enaltecer a parceria com o Estado, cuja ausência foi sempre reclamada por governos municipais passados e por toda a cidade. Trata-se de reconhecer a participação do governo de Minas em obras fundamentais como o hospital, o Condomínio Habitacional Cidade Verde, o Sabiazinho, as UAIs, as escolas, a Estrada do Pau Furado, o setor de segurança pública, as obras viárias.
Será que o professor Antônio Lopes prefere que o município continue sem receber do Estado aquilo que efetivamente merece? O bem da cidade, por acaso, é o que ele chama de “atavismo pessoal com governadores”?! Finalmente, pelo alto índice de aprovação popular, o prefeito Odelmo pode sentir-se gratificado. Mas, trabalhando e convivendo com ele há dez anos, sei que não é essa a sua índole.
Absolutamente comprometido com sua missão, grato ao povo de Uberlândia que o reelegeu no primeiro turno, o que ele quer é cumprir integralmente seu mandato com a responsabilidade de entregar a cidade bem melhor do que a recebeu e preparada para continuar crescendo com solidez e sustentabilidade nos próximos governos municipais.
Seu maior desejo é edificar uma obra definitiva, para fazer uma Uberlândia cada vez mais digna de seus antecessores e de todos aqueles que ajudaram e ajudam a construir a história desta cidade.
Gerson Abrão
Servidor municipal, professor e advogado